Quando uma criança ou adolescente passa horas mergulhado em videogames ou redes sociais, a reação natural dos pais é focar no comportamento: limitar o tempo de tela, esconder o aparelho, estabelecer regras. A intenção é boa. Mas quase sempre, essa abordagem resolve o sintoma sem tocar na causa.
Prefere ouvir este artigo?
Escute a versão narrada de “Filho viciado em tela? O problema pode não ser onde você está procurando”.
Porque em muitos casos, o problema não é a tela. A tela é a resposta para uma necessidade que não está sendo atendida em outro lugar.
O que os estudos dizem sobre uso excessivo de telas em adolescentes
A pesquisadora Jean Twenge, autora de estudos extensos sobre comportamento de adolescentes e tecnologia, identificou um padrão consistente: o uso problemático de redes sociais e jogos online está fortemente correlacionado não com a disponibilidade da tecnologia em si, mas com indicadores de desconexão emocional e baixa qualidade dos vínculos afetivos.
Em outras palavras: adolescentes que se sentem conectados, vistos e valorizados no ambiente familiar tendem a usar a tecnologia de forma mais equilibrada. Já aqueles que encontram nela seu principal espaço de pertencimento, reconhecimento e controle são os mais vulneráveis ao uso excessivo.
O psicólogo Stuart Brown, especialista em comportamento lúdico, reforça essa perspectiva: os jogos oferecem algo que muitos jovens não encontram no mundo real, metas claras, recompensas imediatas, um ambiente no qual sua competência é reconhecida e onde têm controle sobre os resultados. Para um adolescente que se sente invisível ou sobrecarregado em casa, esse ambiente virtual pode parecer o único lugar seguro.
O comportamento do filho é sempre uma mensagem. A pergunta não é "como faço para ele parar?" mas "o que ele está tentando me dizer com isso?"
O papel do vínculo emocional na prevenção e no tratamento
A teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby e amplamente confirmada pela neurociência contemporânea, demonstra que o vínculo seguro com os pais é a base sobre a qual toda a saúde emocional de um indivíduo é construída.
Quando esse vínculo é frágil, não necessariamente por falta de amor, mas por falta de presença, de tempo real, de trocas afetivas genuínas, o adolescente busca compensar essa lacuna em outros espaços. E os ambientes digitais, projetados especificamente para maximizar engajamento e sensação de pertencimento, são os mais eficientes nesse papel substitutivo.
A solução, portanto, raramente está em remover o dispositivo. Está em reconstruir o vínculo que tornou o dispositivo tão necessário.
A TRG (Terapia de Reprocessamento Generativo), desenvolvida pelo Prof. Jair Soares, oferece esse caminho tanto para o adolescente quanto para os pais. Porque às vezes, as crenças que impedem a conexão genuína entre pais e filhos estão nos adultos, não nas crianças.
A experiência de quem viveu
Patrícia e o marido trabalhavam longas jornadas. O filho de treze anos passava horas trancado no quarto, mergulhado em games e redes sociais. As refeições em família haviam desaparecido. A distância emocional crescia a cada semana.
"Tentamos de tudo para controlar isso. Em algumas ocasiões, cheguei a esconder o videogame e o celular, mas isso só gerava discussões e não resolvia o problema."
Quando Patrícia agendou uma sessão de TRG para o filho, não esperava o que viria a seguir: a terapeuta sugeriu que ela também passasse por um atendimento. A razão ficou clara rapidamente.
Durante a sessão com o filho, a pergunta que mudou tudo veio da terapeuta: o que ele gostaria de fazer se não pudesse usar o videogame por um dia inteiro? A resposta desarmou Patrícia completamente.
"Ele queria passar mais tempo em família. Não era vício de tela. Era fome de presença."
A TRG trabalhou com Patrícia as crenças e padrões que impediam uma conexão mais profunda com o filho e abriu espaço para um diálogo que havia sido impossível até então.
"Com essa percepção, conseguimos abrir um diálogo sincero com nosso filho. Passamos a entender melhor o que ele estava sentindo, e ele compreendeu nossas dificuldades também. Esse entendimento mudou tudo para nós. Agora estamos planejando férias juntos."
Cuidar do vínculo é cuidar do filho
A história de Patrícia convida a uma reflexão importante: muitas vezes, quando um filho apresenta um comportamento preocupante, a solução mais eficaz não começa com ele. Começa com os pais.
A TRG oferece um espaço seguro para que toda a família encontre as raízes do que está se passando e para que relações que estavam se distanciando possam, de forma genuína, se reconectar.
Se você percebe que o comportamento do seu filho é um sintoma de algo maior, e que as tentativas de controle não estão funcionando, talvez seja hora de olhar para uma camada mais profunda.
Pais presentes emocionalmente criam filhos que não precisam de substitutos digitais para se sentir inteiros.
Busque um terapeuta formado pelo IBFT e descubra o que está por baixo do que você está vendo na superfície.



